4# ECONOMIA 4.6.14

     4#1 QUE FEIO, FLORIANO!
     4#2 SEXO, DROGAS E... PIB

4#1 QUE FEIO, FLORIANO!

Em um torneio de resultado positivo do PIB, a atual governante s ganharia de Fernando Collor e do segundo presidente da Repblica.
ANA LUIZA DALTRO 

     A economia brasileira se manteve praticamente estagnada no primeiro trimestre de 2014, obtendo um avano diminuto de 0,2% em relao aos trs meses anteriores. Um dos motivos para o desempenho acanhado est na queda de 2,1% no total investido pelas empresas na ampliao da capacidade produtiva. Trata-se do terceiro recuo trimestral seguido, acumulando-se uma retrao de 5% desde junho de 2013. Alm disso, houve uma diminuio no total consumido pelas famlias, uma demonstrao da dificuldade de manter o atual nvel de consumo diante da elevao dos preos, como reconheceu o prprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao comentar o anncio. "Se no fosse o aumento nos gastos do governo, a variao do PIB teria sido negativa", afirma Marcos Casarin. economista da consultoria inglesa Oxford Economics. "Os nmeros confirmam o esgotamento do ciclo de crescimento escorado no aumento do consumo.'' Por estarem com uma boa parcela de sua renda comprometida com o pagamento de dvidas, muitos trabalhadores tm reduzido de forma significativa a compra de novos bens. Pesa tambm o fato de o crdito j estar mais caro. 
     O Brasil possui hoje uma economia bem mais slida do que no passado, e no parece existir nenhuma crise iminente. Alm disso, a taxa de desemprego permanece baixa, a despeito da diminuio, nos ltimos meses, no ritmo de criao de vagas de trabalho. Ainda assim, a situao econmica passa por uma fase prolongada e desconfortvel de crescimento baixo e inflao elevada. Existe uma possibilidade de o IPCA, ndice oficial do governo, ficar acima do limite superior da meta, de 6,5%. Apesar disso, premido pela tibieza da atividade na economia, o Banco Central decidiu, na semana passada, interromper a sequncia de alta na taxa bsica de juros, a Selic, mantendo-a em 11% ao ano. O BC acredita que assim, nos prximos meses, o ndice v convergir para o centro da meta, fixado em 4,5%. S o futuro dir se a deciso foi acertada. 
     Segundo as projees mais recentes, o crescimento mdio anual do PIB nos quatro anos do governo Dilma Rousseff dificilmente superar 2%. Seria um resultado ainda inferior ao registrado nos quatro anos do segundo mandato de Fernando Henrique, quando o pas passou pela crise da desvalorizao do real e do apago. Na histria republicana  e l se vo 125 anos , s houve dois presidentes em cujo mandato a economia obteve resultados mais baixos. So eles o marechal-presidente Floriano Peixoto, que enfrentou uma situao de guerra civil com a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro, e a Revoluo Federalista, no Sul, e o atual senador alagoano Fernando Collor, autor de medidas econmicas inacreditveis como o confisco de depsitos em poupana. "Apoteose da mediocridade"  como o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Reinaldo Gonalves define o crescimento nos anos Dilma. Ele comparou a mdia de expanso com os nmeros do resto do mundo e verificou que o Brasil ficou em uma modesta 119 colocao entre os 152 pases em desenvolvimento. 
     Obviamente, avaliar um governo apenas pelo crescimento econmico  uma medida falha. Muitas vezes as reformas feitas por um presidente s resultaro em desempenho melhor no governo seguinte, enquanto outros devem fazer ajustes que reduzam momentaneamente a atividade para consertar desequilbrios deixados por administraes anteriores. Assim, o governo Dilma precisou ajustar, ao menos parcialmente, os excessos dos ltimos meses de Lula. Mas isso no  suficiente para explicar a falta de reao da economia. Praticamente nenhuma reforma expressiva foi feita nos ltimos anos, e as interferncias do governo na economia apenas serviram para elevar o clima de incerteza e solapar investimentos. 
     O dilema  que, alm de crescer pouco, o pas no tem feito muito para acelerar o ritmo nos prximos meses. "Os dados so preocupantes" afirma o presidente do Goldman Sachs Brasil, Paulo Leme. "Afora o baixo crescimento, assistimos ao colapso da taxa bruta de poupana para 12,7% do PIB, ndice baixssimo, bem inferior a taxas de 19,5% para a frica Subsaariana e 18,5% para a Amrica Latina. Alm disso, vemos cair a formao bruta de capital fixo, dramatizando a nossa preferncia pelo imediatismo do consumo hoje em detrimento do futuro. O comportamento dessas variveis tem como causa uma poltica econmica monotemtica de estmulo da demanda domstica, que tambm explica o aumento da inflao e do dficit externo." Sem poupana, faltam recursos para investir mais, e o ciclo do baixo crescimento se perpetua. O resultado dessas escolhas, segundo Leme,  uma produtividade em queda e uma reduo expressiva no potencial da economia brasileira. 
     Pode ser verdade, como disse recentemente a economista petista Maria da Conceio Tavares, que "ningum come PIB". Com esse pibinho, porm, fica mais difcil encher o prato.

OS PRESIDENTES E O PIB
Segundo as previses mais recentes, o desempenho econmico da gesto Dilma ser superior apenas ao do governo de Floriano Peixoto e de Fernando Collor (variao do PIB, mdia anua!)
Deodoro da Fonseca 10,1%
Floriano Peixoto -7,5%
Prudente de Morais 4,5%
Campos Salles 3,1%
Rodrigues Alves 4,7%
Affonso Pena 2,5%
Nilo Peanha 6,4%
Hermes da Fonseca 3,5%
Wenceslau Braz 2,1%
Epitcio Pessoa 7,5%
Arthur Bernardes 3,7%
Washington Lus 5,1%
Getlio Vargas (1) 4,3%
Gaspar Dutra 7,6%
Getlio Vargas (2) 6,2%
Caf Filho 8,8%
Juscelino Kubitschek 8,1%
Jnio Quadros 8,6%
Joo Goulart 3,6%
Castelo Branco 4,2%
Costa e Silva 7,8%
Garrastazu Mdici 11,9%
Ernesto Geisel 6,7%
Joo Figueiredo 2,4%
Jos Sarney 4,4%
Fernando Collor -1,3%
Itamar Franco 5%
FHX (1) 2,5%
FHC (2) 2,1%
Lula (1) 3,5%
Lula (2) 4,6%
Dilma Rousseff 2%
Fonte: Ipeadata 


4#2 SEXO, DROGAS E... PIB
A dimenso das atividades ilcitas na economia real.

     O trfico de drogas e a prostituio passaro a ser reconhecidos como atividades que geram riqueza na Inglaterra e na Itlia. Mas no se trata de contabilidade criativa, to comum do lado de c do Atlntico. Os governos atendem a uma recomendao da Unio Europeia, em busca de uma medio equnime das economias do bloco para que possa definir com preciso a aplicao das verbas pblicas. Outros pases tambm devero atualizar seus clculos. Na Holanda, a prostituio e a compra e a venda de maconha so atividades legais e j faziam parte do clculo do PIB. Por isso, o pas levava vantagem em relao aos demais. 
     Na Inglaterra, a prostituio e o trfico elevariam o tamanho da economia em 9,7 bilhes de libras em 2009, segundo a primeira projeo divulgada.  um montante equivalente a 0,7 ponto porcentual do PIB daquele ano. Na Itlia, o ganho ficar entre 1 e 2 pontos porcentuais, o que indica um maior peso do mercado ilegal. Para chegar aos valores, os governos partiram de estimativas como o nmero de usurios de drogas. No Brasil, a mais recente reviso na metodologia passa a classificar como investimento os gastos em pesquisa. Isso dar uma ajudinha para aumentar um pouco o tmido pibinho. Por ora, entretanto, no h previso para que os traficantes e as prostitutas entrem na conta. 


